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Agentes de IA movimentam milhões de pagamentos em criptomoedas; protocolo da Coinbase supera 138 milhões de transações

Protocolo x402, da Coinbase, soma mais de 138 milhões de transações com stablecoins na blockchain Base, aponta a Chainalysis.

Um novo capítulo do relatório Geography of Cryptocurrency Report 2026, divulgado pela Chainalysis em 14 de outubro, mostra que o protocolo x402 — sistema criado pela Coinbase para permitir que agentes de inteligência artificial façam pagamentos de forma autônoma — havia registrado mais de 138 milhões de transações na blockchain Base até o fim do período analisado pela empresa, encerrado em 1º de julho de 2026. O x402 funciona com stablecoins, criptomoedas cujo valor é atrelado a uma moeda fiduciária, geralmente o dólar, e é hoje o principal canal usado por softwares automatizados (“agentes de IA”) para pagar por dados e serviços sem intervenção humana direta.

A maioria dos pagamentos é de centavos

Segundo a Chainalysis, em um período estendido de 16 meses encerrado em setembro de 2026, mais de 87% dos pagamentos via x402 ficaram entre um centésimo de centavo e US$ 0,10, com o intervalo mais comum entre um e dez centavos de dólar. A empresa explica que esse tipo de micropagamento — transação de valor muito baixo — não é viável nas redes tradicionais de cartão, mas se torna possível com stablecoins, cujo custo de liquidação é inferior a um centavo. Em declaração citada pela Chainalysis, a emissora de stablecoin Circle descreveu uma divisão de funções entre os sistemas: “trilhos de cartão para pagamentos de agentes solicitados por consumidores, trilhos de stablecoin para liquidações máquina a máquina pequenas demais para a economia de cartões”.

Uso mais recorrente e mais rápido

O relatório também identificou um padrão de maior recorrência no uso das carteiras digitais ligadas ao protocolo. A fatia de carteiras que recebeu um segundo aporte em até 30 dias após o primeiro subiu de 70,6%, entre as abertas no terceiro trimestre de 2025, para 89,3% entre as abertas no segundo trimestre de 2026. O intervalo mediano entre o primeiro aporte em uma carteira e seu primeiro pagamento via x402 caiu de 73 dias, no fim de 2025, para 18 minutos no terceiro trimestre de 2026. Também segundo a Chainalysis, a proporção de carteiras que fizeram seu primeiro pagamento já na primeira hora após o aporte saltou de 4%, no terceiro trimestre de 2025, para 67% um ano depois.

O que os agentes de IA estão comprando

De acordo com a Chainalysis, nos primeiros tempos do x402 boa parte das transações estava ligada a modismos, como o memecoin PING, que atraiu um grande número de carteiras e depois perdeu força. Mais recentemente, a empresa diz ter identificado categorias de uso mais duradouras, com destaque para serviços de revisão de código, inteligência financeira, dados e ferramentas de busca, além da inferência de modelos de IA — o processo pelo qual um modelo de inteligência artificial já treinado responde a uma solicitação. Carteiras associadas aos Estados Unidos responderam por 30% das transações entre agentes e serviços cuja localização pôde ser identificada, e por 88,1% das transações geolocalizadas de inferência de modelos de IA, segundo a Chainalysis. O CoinDesk, citando a mesma pesquisa da Chainalysis, informou que carteiras ligadas aos Estados Unidos respondem por pouco mais de 88% dos pagamentos rastreados destinados a modelos de IA, ante 0,1% da China.

Números medem transações, não demanda confirmada

A própria Chainalysis e o portal Let’s Money, que também noticiou o capítulo, fazem uma ressalva importante: o total de mais de 138 milhões contabiliza transações do protocolo x402 como um todo, e não exclusivamente pagamentos comprovadamente feitos por agentes de IA autônomos. Segundo o Let’s Money, uma análise da TRM Labs estimou que os pagamentos agênticos vêm crescendo, mas ainda não dominam o volume total do x402. Ou seja, os dados disponíveis até agora indicam volume de transações na rede, não necessariamente o tamanho real da demanda comercial gerada por agentes de IA.

Contexto: economia cripto da América do Norte recua

O capítulo da Chainalysis integra uma análise mais ampla sobre a região. A economia cripto conjunta dos Estados Unidos e do Canadá somou US$ 3,02 trilhões no período encerrado em 1º de julho de 2026, uma queda de 1,9% em relação ao período anterior. Os Estados Unidos concentraram US$ 2,78 trilhões, com retração de 2,2% — resultado que a Chainalysis atribui ao cenário de mercado em baixa, mas que teria preservado boa parte do crescimento registrado no período anterior, sustentado por fundos de índice (ETFs) de cripto, tokenização e expansão das stablecoins. Hoolie Tejwani, Head of Coinbase Ventures, disse à Chainalysis que “boa parte do que vemos em comparação a 2025 tem a ver com a maturação do setor”, acrescentando que “os blocos de construção definidos em 2025 estão virando produtos com usuários reais, liquidez e mercados em 2026”. Will Su, Head of Digital Assets Research do BlackRock, afirmou à Chainalysis que a gestora acompanha de perto o comércio agêntico, “com agentes de IA potencialmente criando demanda relevante para pagamentos frequentes e de baixo valor, a qualquer hora do dia”.

Na contramão dos Estados Unidos, a economia cripto canadense cresceu 2,3% no período. A Chainalysis destaca ainda remessas internacionais em stablecoin partindo do Canadá para Índia, China e Filipinas, que somaram US$ 2,36 bilhões no período, alta de 141% em relação ao ano anterior.

Stablecoins em dólar e ativos tokenizados

O relatório também mostra que 99,1% do volume negociado em livros de ofertas de stablecoins é composto por tokens atrelados ao dólar americano, o que permite a usuários fora dos Estados Unidos manter exposição à moeda sem uma conta bancária americana. Já o mercado de ativos do mundo real tokenizados (RWA, na sigla em inglês) fechou o segundo trimestre de 2026 em US$ 36,07 bilhões, alta de 135% em relação ao período anterior, segundo a Chainalysis. Títulos do Tesouro americano tokenizados somaram US$ 15,42 bilhões, ou 42,8% do total, enquanto crédito corporativo tokenizado avançou 3.156% e private equity tokenizado, 1.340%, ambos partindo de bases menores. Entre os títulos do Tesouro tokenizados cuja localização pôde ser identificada, a Itália concentrou 29,9% do valor, à frente de Portugal (18,8%), Singapura (18,2%) e dos próprios Estados Unidos (10,5%). A Chainalysis cita também alternativas domésticas à infraestrutura em dólar sendo desenvolvidas em outros mercados, como o marco regulatório europeu para stablecoins, o regime de Singapura e, no Brasil, o piloto do Drex, projeto de real digital conduzido pelo Banco Central.

Fontes

Aviso: Este artigo possui caráter estritamente informativo e educacional, não constituindo recomendação de investimento ou aconselhamento financeiro de qualquer natureza.

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